| Entrevista com Nelsa Alves, Miss Angola 2009 |
Foi um ano de grande responsabilidade que mudou a minha vida como jovem e estudante. Adquiri várias responsabilidades tais como posicionar-me perante a sociedade, e ser solidária para com os mais necessitados. Tornei-me uma pessoa mais adulta e acho que estou preparada para assumir as responsabilidades que a vida me irá trazer no futuro
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A primeira vez que pisei uma passerelle foi no concurso Miss Ingombota. Desde muito pequena que os meus amigos e familiares sempre me diziam que seria miss. Por causa da postura e também devido ao meu perfil físico. Mas nunca foi um sonho. Quando fiz 21 anos e ouvi a publicidade do concurso Miss Ingombota, senti que deveria participar para granjear alguma experiência.
Não. Os meus objectivos eram apenas o concurso mas tenho feito alguns trabalhos como modelo dos quais tenho gostado muito. Não quero fazer disso uma profissão, mas sempre que receber um convite pretendo avaliar, ver se vale a pena. A Step Model tem um projecto bom que é o Prêt-à-Porter, um desfile para angariar fundos para ajudar instituições e escolas públicas a adquirir livros. Espero, no futuro, poder prestar solidariedade através de eventos desse género.
Estou no 4.º ano do Curso de Engenharia dos Recursos Naturais e Meio Ambiente na Universidade Independente. Não tem sido fácil conciliar por causa das responsabilidades, mas o meu desejo de terminar a formação é maior ainda, então faço questão de equiparar as duas coisas. Procuro ter a mesma responsabilidade com os dois projectos.
Na verdade, no início, pensei fazer Engenharia dos Petróleos na África do Sul, mais tarde é que decidi fazer o meu curso, que aborda o ambiente em si e como preservar e protegê-lo depois de fazer as explorações. Fala de um modo geral do cuidado que se deve ter com a natureza. Gosto cada vez mais do curso e das disciplinas. Com as mudanças que o país tem sofrido, especialmente na área de reconstrução será benéfico a nossa colaboração nessa área devido à poluição existente em várias vertentes.
Todos os dias isso é motivo de falatório. Acho que se sentem felizes e também tenho de lhes agradecer porque deram sempre uma grande força em vários momentos.
Sim. É o meu grande sonho. Quando pensei em participar no concurso Miss Angola pensei nos benefícios que me poderia trazer depois de terminar a minha formação. Uma bolsa para mestrado, um bom emprego, por exemplo. Tenho batalhado neste aspecto. A minha formação termina em Junho do próximo ano, penso depois fazer um estágio e em 2011 talvez fazer então um mestrado. Gostava muito de o fazer num país de expressão inglesa.
Foi uma grande experiência que vivi nas Bahamas com mais de 80 candidatas de todo o mundo. Conheci um pouco de cada cultura, da língua e foi uma grande oportunidade, e responsabilidade também, de representar Angola. E as Bahamas são um país muito bonito de águas azuis e areias finas.
Fiz, especialmente com as latinas porque estava colocada no mesmo edifício que elas. Fiquei amiga das Miss Brasil, Colombia, Bolívia e Argentina.
Não sabiam onde ficava, tinham muito pouco conhecimento, com excepção das outras candidatas africanas, do Brasil e Reino Unido. Eu tentava explicar, falava da cultura, das danças, ensinava-lhes a dança do milindro, a rebita, kizomba, falava da gastronomia, dos pontos turísticos para se um dia elas pensassem cá vir, saberem o que podiam encontrar. Neste concurso, uma miss actua também como uma embaixadora, e desempenha um papel de divulgação do nome do país, da cultura e do crescimento que estamos a viver.
Haverá uma mistura de sentimentos. Alguma tristeza porque um ano é pouco tempo. É uma grande alegria representar o país e participar em eventos de solidariedade e agora será outra pessoa a representar essa imagem. Estarei também feliz porque vou participar noutros projectos pessoais como o curso, os trabalhos na moda e outros projectos que ainda não são concretos e que prefiro dizer ao público mais tarde.
Tem crescido a cada dia que passa. Tanto em termos de profissionalismo das modelos como dos estilistas nacionais. No futuro vamos conseguir melhorar ainda mais e conseguir uma indústria de roupa. Angola tem crescido muito e o sector da moda vai acompanhar esse crescimento.
Karina Silva, sem dúvida. Tem uma personalidade em palco única, de uma modelo internacional. No que se refere aos estilistas gosto de Lisete Pote, Elisabete Santos.
Pode, com regras e limites. Não posso abusar dos doces e do chocolate por causa do acne, por exemplo. Tenho de fazer exercícios para manter a linha corporal e fazer alguns tratamentos ao rosto por causa da maquilhagem feita diariamente.
A família questionou-se um pouco, primeiro porque receavam que eu deixasse para trás os estudos. Quando demonstrei a minha vontade e expliquei os benefícios que poderia retirar se fosse eleita Miss Angola começaram a dar-me muito apoio
Tenho algumas primas que já partciparam em concursos de beleza, Miss Cabinda e Ingombota, uma tia tem um grande salão de cabeleireiro e uma avó que costura muito bem. Quando tinha 12 anos lembro-me que organizava concursos de misses com as minhas amigas no bairro.
Primeiro pretendo atingir muitos sucessos na vida profissional. Mais para a frente quero casar, constituir família e ter quatro filhos biológicos e dois adoptados.
Tímida, simples, simpática, teimosa. Uma dos aspectos positivos do concurso foi que me tornou mais descontraída e sociável.
Às vezes tratam-me como se fosse uma boneca, como se não tivesse sensibilidade. Respeito sempre todos e sou educada. Conselho de Miss
Miss com responsabilidade social
Para Nelsa Alves a reacção da opinião pública a estas iniciativas não podia ser mais positiva. “Como jovem e como estudante acabo por servir como exemplo.
É uma grande oportunidade dar a minha imagem por estas causas, fazer com que as pessoas se sensibilizem e pensem “porque é que aquela moça bonita com a idade que tem está a colaborar com estes assuntos”. É muito importante o trabalho de Miss Angola”, diz.
Pérfil
Última actualização: 29-11-2009 11:34
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Aos 21 anos, Nelsa Alves foi eleita a mais bela do país no concurso Miss Angola 2009. A até então estudante universitária de Engenharia do Ambiente viu a sua vida sofrer uma mudança radical: entrou no mundo da moda, deu voz e imagem a campanhas de solidariedade e representou o país dentro e fora de fronteiras. A poucas semanas de passar a coroa e a faixa à sua sucessora, — a eleição da Miss Angola 2010 será no próximo dia 11 de Dezembro —, conversámos com a jovem que com os pés bem assentes na terra sabe o que quer para o seu futuro.






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